Pra não dizer que não falei…

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Acompanhando aqui os comentários sobre a polêmica gerada após as declarações, a respeito desse nosso país, feitas por uns cidadãos aí, fiquei pensando em como somos omissos ou mesmo descomprometidos com as nossas coisas.

O tom taxativo que parece generalizar a postura dos brasileiros na minha fala bem que mereceria repreensão afinal, num tempo em que a internet nos permite revidar o que não é do nosso agrado com um simples (e tão significativo) “Cala a Boca, Fulano!”, ficou bem mais fácil devolver aquilo que não dá pra aceitar goela abaixo numa boa.

Tentando não responder diretamente a alguém ou citar casos específicos, uma vez que estes já receberam mais atenção do que mereciam e também pelo fato de deverem ser desconsiderados por conta da baixa credibilidade dos indivíduos que os protagonizaram, vamos apenas pensar que o episódio mais recente comentado pela mídia não foi o primeiro e, se mantivermos essa postura indiferente aos fatos, nem será o último em que se faz pro mundo inteiro uma imagem caricata do Brasil.

Qual é o problema disso? Bom, aí depende….

Não sei vocês mas, eu já estou farta de sermos a nação simpatia, que acolhe bem, que ampara e contagia com sua alegria nos momentos em que é conveniente ser e depois de “usados” passarmos a ser os selvagens que oferecem macacos e prostitutas como souvenir aos ilustres visitantes desta terra.

Sem ingenuidade ou discurso tendencioso porque eu conheço as mazelas sociais, políticas e econômicas desse país (quem não as sabe?), não estou negando as deficiências e aspectos depreciativos do Brasil, mas fazendo um paralelo de lógica extremamente simplista, peço a você que cite duas figuras de forte presença e circulação na mídia brasileira que tenham feito comentários semelhantes visando o demérito de qualquer nação? (não vale piada de portugês e falar mal de argentino que isso é bem diferente!!)

Salvo os valores que se defende nos artigos que regem a liberdade de expressão, o que nossos colegas ainda não aprenderam é que em nome da boa convivência e mantendo as políticas de boa vizinhança, existem coisas que a gente pode sim pensar…. mas que não convém falar. Ainda mais usando veículos de tão amplo alcance.

Hipocrisia… ? Talvez. Mas me digam quem de vocês teria a disposição de receber esta trupe de senhores e usar de “bom humor e sinceridade” ao sugerir que o local mais adequado para uma reunião como a que eles vieram buscar um melhor cenário pra fazer, ainda mais com tantos nomes “históricos” do cinema, talvez fosse num asilo para terceira idade com todo o conforto e segurança que pessoas da faixa etária deles merece.

Além do quê, como somos uma nação tão “primitiva” em diversos aspectos talvez nem tivéssemos a tecnologia suficiente para aplicar, assim de emrgência,  silicone e botox em tantos lugares diferentes como se percebe que alguns deles necessitam… Vai que nessas cenas de ação alguma coisa dá errado…

Outra coisa que foge à minha compreensão é a idéia “heróica” de combater um ditador latino…. É como se a vizinha que está com o quintal sujo há semanas por causa dos cachorros de estimação batesse na sua porta se oferecendo pra lavar sua louça do café e depois poder espalhar pra rua toda que você não faz a sua parte dentro de casa. Grande ajuda, não?

Enfim, acabei referenciando mais do que gostaria.

O que fica de impressão, depois de tudo o que andam dizendo da gente por aí é que perdemos o respeito por nós mesmos e que não tivemos a coragem ou sensatez de dizer pra essa “vizinha” que achamos que ela tem coisas mais importantes pra fazer que se preocupar com o nosso pequeno problema.

Eu posso muito bem dizer que meu nariz é tortinho e precisa de plástica e talvez até aceite que um cirurgião ratifique o que eu disse. Mas não vou aceitar, de jeito nenhum, que alguém com orelha de abano venha caçoar de mim por isso. Cada um com os seus problemas!!!

Uma resposta para “Pra não dizer que não falei…”

  1. Fernando Disse:

    Le,
    Sensacional o seu texto. Já falei que voê está perdendo tempo né?? Pegue os seus textos e espalhe para jornais e revistas da região e, por que não do Brasil. Com certeza você será procurada pois talento não falta.
    Um comentário sobre o seu artigo: enquanto houver “pão e circo”, o povo continuára sendo “bonzinho” e passivo, quer seja nas questões internas quanto externas ao nosso país.
    Até.

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