CONSTELAÇÃO DE AMIGOS

5 / agosto / 2015 by

Como estrelas no céu…

O que é ser amigo mesmo?

Crianças, elegemos aquele que nos faz rir, briga e brinca conosco como se não fossemos crescer nunca…

Quando adolescentes, vivemos tão grudados que normalmente nos chamam de cú e calça.

Andamos em bando como pássaros, fumamos escondido, primeiros amores divididos, viagens malucas, tão – quase- livres que os pais chamam de “má companhia”…

Adultos, trabalhamos tanto e tanto tempo que nossos amigos, geralmente, são aqueles que falam dos mesmos assuntos, têm filhos na mesma época, choram as mesmas dores, enchem a cara, discutem e brincam quando dá…

Hoje, agradeço a todos estes amigos (E CADA UM QUE LER SE VERÁ), porque sou uma parte de cada um, tenho contato com muitos ainda…e tenho amigos que surgiram neste tempo, tão importantes quanto.

Minha constelação!

ASSIM

Pra não dizer que não falei…

14 / agosto / 2010 by

Acompanhando aqui os comentários sobre a polêmica gerada após as declarações, a respeito desse nosso país, feitas por uns cidadãos aí, fiquei pensando em como somos omissos ou mesmo descomprometidos com as nossas coisas.

O tom taxativo que parece generalizar a postura dos brasileiros na minha fala bem que mereceria repreensão afinal, num tempo em que a internet nos permite revidar o que não é do nosso agrado com um simples (e tão significativo) “Cala a Boca, Fulano!”, ficou bem mais fácil devolver aquilo que não dá pra aceitar goela abaixo numa boa.

Tentando não responder diretamente a alguém ou citar casos específicos, uma vez que estes já receberam mais atenção do que mereciam e também pelo fato de deverem ser desconsiderados por conta da baixa credibilidade dos indivíduos que os protagonizaram, vamos apenas pensar que o episódio mais recente comentado pela mídia não foi o primeiro e, se mantivermos essa postura indiferente aos fatos, nem será o último em que se faz pro mundo inteiro uma imagem caricata do Brasil.

Qual é o problema disso? Bom, aí depende….

Não sei vocês mas, eu já estou farta de sermos a nação simpatia, que acolhe bem, que ampara e contagia com sua alegria nos momentos em que é conveniente ser e depois de “usados” passarmos a ser os selvagens que oferecem macacos e prostitutas como souvenir aos ilustres visitantes desta terra.

Sem ingenuidade ou discurso tendencioso porque eu conheço as mazelas sociais, políticas e econômicas desse país (quem não as sabe?), não estou negando as deficiências e aspectos depreciativos do Brasil, mas fazendo um paralelo de lógica extremamente simplista, peço a você que cite duas figuras de forte presença e circulação na mídia brasileira que tenham feito comentários semelhantes visando o demérito de qualquer nação? (não vale piada de portugês e falar mal de argentino que isso é bem diferente!!)

Salvo os valores que se defende nos artigos que regem a liberdade de expressão, o que nossos colegas ainda não aprenderam é que em nome da boa convivência e mantendo as políticas de boa vizinhança, existem coisas que a gente pode sim pensar…. mas que não convém falar. Ainda mais usando veículos de tão amplo alcance.

Hipocrisia… ? Talvez. Mas me digam quem de vocês teria a disposição de receber esta trupe de senhores e usar de “bom humor e sinceridade” ao sugerir que o local mais adequado para uma reunião como a que eles vieram buscar um melhor cenário pra fazer, ainda mais com tantos nomes “históricos” do cinema, talvez fosse num asilo para terceira idade com todo o conforto e segurança que pessoas da faixa etária deles merece.

Além do quê, como somos uma nação tão “primitiva” em diversos aspectos talvez nem tivéssemos a tecnologia suficiente para aplicar, assim de emrgência,  silicone e botox em tantos lugares diferentes como se percebe que alguns deles necessitam… Vai que nessas cenas de ação alguma coisa dá errado…

Outra coisa que foge à minha compreensão é a idéia “heróica” de combater um ditador latino…. É como se a vizinha que está com o quintal sujo há semanas por causa dos cachorros de estimação batesse na sua porta se oferecendo pra lavar sua louça do café e depois poder espalhar pra rua toda que você não faz a sua parte dentro de casa. Grande ajuda, não?

Enfim, acabei referenciando mais do que gostaria.

O que fica de impressão, depois de tudo o que andam dizendo da gente por aí é que perdemos o respeito por nós mesmos e que não tivemos a coragem ou sensatez de dizer pra essa “vizinha” que achamos que ela tem coisas mais importantes pra fazer que se preocupar com o nosso pequeno problema.

Eu posso muito bem dizer que meu nariz é tortinho e precisa de plástica e talvez até aceite que um cirurgião ratifique o que eu disse. Mas não vou aceitar, de jeito nenhum, que alguém com orelha de abano venha caçoar de mim por isso. Cada um com os seus problemas!!!

Também somos “EXAGERADOS”

26 / novembro / 2009 by

Tentei ficar indiferente ao cometário e juro que fiz um esforço pra deixar passar, partindo do princípio que todas as pessoas tem sua opinião sobre  o que quer que seja e que esta, deve portanto ser respeitada. Mas como trata-se de um assunto que  me incomoda cada vez que é abordado, decidi expôr também a minha opinião.

Estou um pouco cansada de ouvir as pessoas falarem de Cazuza como uma referência negativa, como se gostar dele fosse traço de desvio de conduta ou pior, acreditando que sua postura e comportamento diante da própra vida fosse maior do que a recado  que (penso eu) ele veio gritar exageradamente aos ouvidos da sociedade.

Os filmes, documentários e artigos não endeusam  a pessoa do jovem Agenor de Miranda, atribuindo a ele predicados místicos ou que sejam passíveis de idolatria. Pelo contrário, mostram o gênio musical, poeta letrista e arranjador convivendo conflituosamente com o gênio humano tempestivo e explosivo da pessoa que existia por trás daquelas vestes escrachadas e provocativas.

Estes filmes, documentários e artigos, enfim, mostram sim os caprichos, o comportamento desafiador de um jovem que cresceu no meio musical brasileiro das décadas de 70 e  80, vivenciando toda a transformação de identidade cultural vivida pelo país durante a pós ditadura, filho de uma geração que enfrentou os primeiros tabus em prol da liberdade de expressão musical e comportamental em uma cidade como o Rio de Janeiro, que é até hoje um dos roteiros turísticos mais requisitados do país, onde a sociedade recebe o mundo todos os dias, tão sujeita a esse  intercâmbio transformador e enriquecedor.

Aos 10 anos de idade, Cazuza já conhecia mais obras literárias do que é capaz de ler até o fim da vida qualquer universitário dessas instituições de ensino que temos hoje a disposição de uma sociedade que se diz preocupada com a moral e os bons costumes mas se presta a encenar um episódio tão vergonhoso como o do vestidinho rosa de Sao Bernardo Campo, no interior de Sâo Paulo.

Perceba que não estou apenas argumentando sobre a figura pública do artista Cazuza, mas também sobre o jovem Agenor de Miranda, filho de uma geração e fruto de uma sociedade que se perdeu no caminho ao tentar fazer tudo por seus filhos proporcionando confortos e facilidades de  “uma vida melhor”, aspiração comum e compreensível quando se fala de pessoas que enfrentaram um momento extremamente complicado na formação da história da civilização, que defenderam seus ideais políticos, culturais e religiosos pagando o preço de sua insubordinação à repressão.

Quando o cantor Cazuza grita na canção se declarando um EXAGERADO, ele está  alertando a sociedade de que alguma coisa naquele modo de agir estava errado. Ele talvez quizesse mostrar que não era através da permissividade excessiva e nem dos pricípios advindos do amor livre (hernaça comportamental da era hippie) ou tampouco das formas alternativas de preencher os espaços vazios deixados pela educação moderna das famílias que não tinham tempo e nem paciência para dedicar amor uma vez que de tão tomada pelo capitalismo desenfreado haviam aprendido a demonstrar afeto com pacotes de presentes.

Esse jovem queria gritar que precisava mesmo de uma ideologia pra viver pois a que lhe tinha sido apresentada não servia mais àquela geração coca-cola que estava surgindo, totalmente a mercê das modas ditadas pelo cinema americano e pobre de identidades e origens…. sem raízes, sem referências.

Cazuza ao menos conhecia Cartola e sabia apreciar simultaneamente com um ecletismo sem igual a Beatles e aos Novos Baianos. Me perguntei essa semana se os filhos da psicóloga que escreveu a crítica à pessoa do jovem Agenor de Miranda já ouviram Cartola alguma vez na vida.

O que mais me irrita nos rótulos impostos, o louco, o bicha, o promíscuo, o filho mimado é que esta sociedade que aponta o dedo não seja capaz de refletir sobre a sua contribuição e responsabilidade na formação de jovens como Cazuza. Na construção do caráter de pessoas que hoje infelizmente não tem nem a poesia e a música como refugio, uma vez que não dá pra ter momentos de encontro ou busca pessoal em melodias cuja letra diz “sota essa porra!!!” ou “senta, senta e rebola”.

Pensando assim até dá pra entender porque alguém acredita que um filme seria capaz de influenciar tanto a mentalidade das pessoas. A única explicação que encontro é a de que Cazuza estava certo: estávamos nos tornando seres humanos vazios… não parece ser tão diferente hoje.

Perdoem a frase mas, preciso mesmo dizer que antes de usar um texto fora do contexto, tomando-o como pretexto pra protestar é preciso ter essa consciência de que ainda há pessoas que lutam para mudar o que Cazuza dizia estar errado não como Mártir ou Profeta, mas como pessoa humana que acreditava que poderíamos ser mais e dar mais se fôsemos um pouco mais exagerados e menos passivos diante de nossa própria destruição.

Estado de Contemplação…

15 / abril / 2009 by

Depois do “freio de arrumação”, quanta bagunça aqui dentro…!
Olhei as coisas espalhadas pelo chão e não sabia por onde começar.
Perdida, confusa…. Não sabia, talvez nem quisesse saber.
Me perguntava se ia dar pra consertar o que quebrou…..se valia a pena ou se não seria melhor cuidar das outras coisas que ainda estavam lá….
Me sinto uma boba ao pensar que foi preciso uma criança me dizer. … Precisei ouvir de uma criança que o jacaré estava lá o tempo todo e eu nunca me havia permitido encontra-lo.
Quantas vezes fiz o caminho habitual, tudo sempre igual, cada passo, cada pedra da trilha como se nada fosse buscar, além do que já estava ali…

Me cansei de dizer que estou cansada…. preciso ser mais que isso.
Na verdade, descobri que, hoje, não estou aceitando menos.
Chega de tudo pela metade!!! O fato de não precisar de muita coisa pra ser feliz não significa que me contento com pouco e agora entendo que, definitivamente, mereço mais!
Também não sou ingênua a ponto de pensar que tudo vem de graça. Sei que as escolhas tem seu preço. Mas, “de ontem em diante”, vou cuidar pra que nada além do devido me seja cobrado. O que é certo é certo, não é?

Percebo que agora é a hora de começar de novo…, começar algo NOVO! Quantas vezes forem necessárias…

Agora entendo que a bagunça tinha que acontecer para que a “arrumação” começasse, de alguma forma, a ser feita.
Sei que ainda não acabou e que novas bagunças devem surgir, pra eu poder começar o novo outra vez e de novo. Porque a vida é movimento, não é?

Já tive pressa e hoje sei que chego de outras formas.
Já briguei, já gritei, hoje sei que não preciso disso pra ser ouvida.
Já quis desistir, mas aí veio alguém e, “me apoiando”, disse que eu não ia mesmo conseguir….daí eu não parei mais de tentar.
Já tive garra e força por um batalhão, ainda que na hora isso não fizesse diferença alguma pra platéia que assistia.

Hoje, essa menina aqui só quer brincar.
Quer jogar o jogo, vir, ver e vencer…. não necessariamente nessa mesma ordem.

Aos que cruzarem pelo meu caminho, “sigam-me os bons”!!
Aos outros, torço para que encontrem cada qual a sua estrada.

Ensino Superior Gratuito

23 / janeiro / 2009 by

Com relação ao artigo publicado no Valeparaibano de ontem (22/01), escrito pelo senhor Vicente de Moraes e em resposta a todas as outras notas publicadas sobre educação na cidade, ainda não entendo por que toda vez que se fala em Ensino Superior de rede pública, o nome da FATEC nunca é citado.

 

Parece que infelizmente a cidade ainda não tomou conhecimento de que desde março de 2006 tem à disposição dos jovens aspirantes a universitários ou de qualquer cidadão que almeje uma formação superior de rápida inserção no mercado, uma faculdade pública administrada pelo Centro Paula Souza em regime de autarquia do Governo Estadual e totalmente gratuita.

 

Embora nova na cidade, a FATEC tem uma tradição de mais de 30 anos de existência, com 45 cursos num formato de graduação super dinâmico e voltado para a formação em áreas alternativas que atendem aos novos segmentos do mercado como: Bioenergia Sucroalcooleira, Silvicultura, Agronegócio, Automação Industrial, Radiologia, Produção de Calçados, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Navegação Fluvial, Organização de Eventos, Redes de Empresas e Cooperativismo, Metalurgia, Construção Civil, Hidráulica e Saneamento Ambiental, Produção de Plástico, Turismo, Alimentos; Mecânica de Produção, Projetos e Soldagen, entre outros. Estando presente em 44 cidades do estado de São Paulo, oferece em São José dos Campos, atualmente, quatro cursos: Logística em Transportes, Tecnologia em Informática, Mecânica e Manutenção em Sistemas Aeronáuticos e Manufatura em Sistemas Aeronáuticos.

 

Os cursos de Tecnologia oferecidos tem duração de três anos e os vestibulares acontecem semestralmente. Em São José, a primeira turma concluiu o curso em dezembro de 2008 e, embora sabendo que o reconhecimento e aceitação virão com o tempo, como aluna e futura profissional, me preocupo com o espaço que meus colegas e eu  teremos no mercado regional se a cidade nem mesmo sabe quem são esses profissionais e do que eles são capazes.

 

Uma pena também que haja essa restrição de ações do Poder Público em apoio à divulgação desta instituição de ensino e que no momento de se elaborar convênios, parcerias e incentivos para projetos, uma faculdade como a Univap – que mais parece um cachorro que tem dois donos seja largamente privilegiada sem que isso tenha efetivo retorno em benefícios para a população que financia esses incentivos, nem mesmo em forma de bolsas de estudo.

 

Nessas horas surge uma dúvida: onde estão esses alunos? Onde estão as pessoas que tem engolido uma situação por tanto tempo sem se pronunciar? Digo isso envergonhada, mas, essa nossa geração é mesmo muito covarde e sem princípios. Por muito menos, outros antes de nós saíam às ruas e se faziam ouvir de qualquer maneira, pois além de terem fibra para defender seu ponto de vista, tinham uma idéia bem mais clara do que julgavam estar certo ou errado.

 

Nós, hoje, além de não termos espírito de luta parecemos também não ter nenhuma bandeira pra lutar; “tudo está bom assim”, “deixa do jeito que está”, “se Deus quiser vai se resolver”, ou quando no máximo um “alguém tem que fazer alguma coisa!”. Sempre alguém, nunca eu.

 

Apesar disso, ainda acredito que valha a pena, pois antes de mim, a irmã mais velha teve que sair da cidade para buscar formação superior gratuita, eu e a irmã do meio aderimos à FATEC não só pela gratuidade, mas por afinidade; e a irmã caçula só está indo agora para outra cidade porque a FATEC de São José não tem o curso em sua área de interesse. Então, meus amigos, não percam esta oportunidade e este momento para fazer com que as necessidades da população sejam não só ouvidas, mas sim atendidas.

Quanto custa a sua vida?

15 / dezembro / 2008 by

?

Já parou pra pensar no valor da sua vida?

Gostaria de contar uns fatos…

Maria do Espírito Santo Ribeiro dos Santos era uma senhora de 51 anos, nascida no interior do Maranhão, família simples, humilde; sete filhos, sendo um deles, a Dayara, portadora de necessidades especiais, dependente integralmente de atenção e cuidados da mãe, uma vez que tem a mobilidade dos membros extremamente reduzida, não fala, não anda, não come, não toma banho, não faz nada sozinha a não ser sorrir.

Há 18 meses, Maria começou a sentir incômodos estomacais e muita dificuldade para se alimentar. Ao procurar a rede pública de saúde, recebeu alguns comprimidos de Ranitidina e Omeprazol, depois foi encaminhada a voltar pra casa. Os incômodos não cessaram e Maria retornou diversas vezes, buscando tratamento para as dores que sentia. Pela sua insistência, os médicos acabaram diagnosticando uma úlcera e gastrite, que poderiam ser de fundo nervoso (emocional) ou causadas por algum tipo de bactéria; o que também não foi investigado a fundo.

O tratamento receitado? Mais Ranitidina e Omeprazol.

Quando a Ranitidina deixou de ser eficaz contra as dores, novamente, por sua insistência, os médicos pediram uma endoscopia que demorou alguns meses para ser agendada. Depois da endoscopia, após não ter mais sucesso com medicação alguma para os sintomas do desconforto estomacal e ao perceber que a região abdominal começava a apresentar uma rigidez e inchaço fora do normal, decidiram pedir uma ultra-sonografia a fim de ter maior clareza de seu quadro clínico. Este exame também levou mais alguns meses para ser agendado.

Nesse ínterim, Maria continuou a sentir os desconfortos e cada vez que a dor se tornava insuportável voltava ao atendimento da rede pública de saúde com os seus exames em mãos para buscar novamente uma solução para seu problema.

Em setembro de 2008, já sem nenhum apetite, começou a restringir sua dieta, pois começava a sentir intolerância a certos tipos de alimentos. No mês seguinte, já havia limitado seu cardápio a apenas um item, o único que ainda conseguia consumir: água de côco.

Em novembro, Maria já tinha ficado completamente intolerante a água de côco e testava alternativas para alimentação que pudessem nutrir seu corpo já bem debilitado e bastante leve, uma vez que a dieta praticada fez seu corpo perder uma quantia considerável de peso. O inconveniente é que agora, além de restrições alimentares, ela começava a não suportar a digestão dos alimentos e, segundos após ingeri-los sentia ânsia de vômito eliminando do estômago todo alimento que pudesse ter ingerido.

Nessa fase, foram constantes as visitas às unidades de pronto atendimento próximas de sua residência. Porém, nessas visitas o tratamento era sempre o mesmo: Ranitidina e soro com Plasil, para cessar os enjôos. Quantas vezes não voltou pra casa mais debilitada do que quando chegou? Queixava-se da indiferença, dos maus tratos, da falta de atenção ao seu problema que cada vez ia se agravando sem ver solução alguma sendo proposta. Da última vez, em novembro, agendaram um retorno para dia 23 de dezembro com o objetivo de fazer uma avaliação do quadro e pedir exames para encaminhamento a possível cirurgia, de acordo como que fosse apontado nos exames.

No dia 03 de dezembro, Maria seguiu para o atendimento da rede pública de saúde com fortes dores abdominais, quase sem fala, sem viço na face ou força pra caminhar, cerca de 15 quilos mais magra, e extremamente debilitada. Mediante seu estado, foi imediatamente pedida a sua internação.

Durante o tempo em que esteve na internação, realizou alguns outros exames para que a família, enfim, pudesse ter algum diagnóstico. Na terça-feira dia 09 de dezembro, a equipe médica do Hospital Municipal José de Carvalho Florence, mais conhecido como antigo Pronto-Socorro da Vila Industrial, tentou realizar uma colonoscopia em Maria, mas com o corpo já tão fragilizado ela não suportou concluir o exame.

Foram diagnosticados vários nódulos de diversos tamanhos na região do fígado e intestino, o que levou os médicos a falarem em cirurgia de emergência com autorização da família, uma vez que, de tão debilitada, talvez não resistisse aos procedimentos cirúrgicos.

Os dias de internação foram muito difíceis para Maria e para toda a família, primeiro porque, no início, a equipe de enfermagem não autorizou a presença de um acompanhante em função da idade da paciente (menos de 60 anos). E, segundo porque durante o horário de visitas pôde-se observar vária cenas de descaso e de despreparo por parte da administração, equipe de recepção, segurança, médicos e enfermagem do hospital.

Coisas como assistir uma enfermeira levar uma paciente, de cadeira de rodas, para realizar uma radiografia e, ao voltar para o leito, “estacionar” a cadeira ao lado da maca dizendo “sobe aí”. Outros episódios como machucados adquiridos durante o banho, alimentação inadequada sendo servida a uma paciente em estado gravíssimo de desnutrição, uma paciente com dificuldades de locomoção ficar por três horas apertando campainhas para receber um gole de água, a rispidez, acidez e total ausência de atenção da equipe de enfermagem às solicitações de ajuda dos familiares, no trato com a paciente durante os horários de visita.

Enfim, é triste imaginar que um ser humano em péssimas condições de saúde, debilitado física e psicologicamente, seja tratado com tanta indiferença por pessoas que deveriam lhe ser eternamente gratas por terem um emprego, uma função profissional e um salário obtido através desse trabalho.

É lamentável perceber que há uma total inversão de valores no momento em que funcionários da rede pública de saúde se acham no direito de diminuir a importância e o valor da vida de um cidadão que custeia o seu salário e que foi o responsável pelo financiamento da construção do prédio em que ele trabalha, bem como pela compra dos equipamentos que ele opera.

Sempre ouço dizer aos quatro ventos que São José dos Campos tem o melhor hospital do Vale do Paraíba, que é referência no tratamento disso e daquilo, que recebe pessoas de outras cidades para serem tratadas aqui, etc e tal….

Infelizmente, Maria não pôde confirmar a eficiência dessa super estrutura tão aplaudida pela atual administração pública da cidade, pois faleceu três dias após o diagnóstico tardio de sua doença.

Se houvesse o mínimo de curiosidade (e repare que eu nem disse interesse) por parte desses exímios profissionais da sáude em conhecer as necessidade de seus pacientes, talvez o diagnóstico de Maria pudesse ter sido descoberto 18 meses atrás, quando ela ainda podia caminhar e falar, quando ainda podia dizer o que sentia, quando ainda tinha forças para acreditar que a cura que tanto buscava era possível de se achar.

O mais curioso, embora eu esteja falando de câncer, uma doença tão avassaladora e cruel, é que nenhum dos sintomas apresentados por Maria era qualquer coisa impossível de avaliar ou de juntar as pistas. Por mais avançado ou recuado que estivesse, diagnosticar assim tão tarde uma doença como essa é tirar do paciente qualquer chance que ele tenha de escolher viver, de decidir lutar por sua saúde.

O objetivo dessa história real em forma de manifesto é fazer você pensar sobre como anda o atendimento público de saúde de São José dos Campos. É fazer você sentir curiosidade de entender o por que de haver tanta indiferença, desinteresse e despreparo para atender uma população que deveria ser tratada como a razão da existência dos sistemas de políticas públicas e sociais do município. Tomara que você sinta mesmo essa vontade de saber o que acontece dentro das unidades de atendimento da rede pública de saúde, ainda que por curiosidade.

Tomara que você tenha a chance de conhecer como funciona esse atendimento antes de precisar dele.

Voltando a minha pergunta, sobre o preço da sua vida, se estiver muito difícil de quantificar, posso fazer uma estimativa de quanto custa a morte.
Urna (Caixão) – R$380,00
Coroa de Flores – R$220,00
Taxa de serviços Estéticos (Necromaquiagem) – R$80,00
Taxa de Preparação do corpo – R$180,00
Velas, Véu, Edredon, Flores, Vestimenta e Translado – R$230,00

Isso se você for uma pessoa simples, sem muitas peculiaridades, o que nesse momento não seriam apenas detalhes, mas sim alguns cifrões a mais no seu orçamento de funeral.

Como você não poderá participar da escolha desses detalhes, cuide agora da sua vida para que o preço da morte não seja a maior preocupação daqueles que fazem alguma diferença nessa vida pra você.

Maria do Espírito Santo era minha tia.

Em ano Eleitoral…

10 / setembro / 2008 by

“Sai o prédio da FATEC!”

 

Finalmente, após bons anos de espera e muita conversa e negociação, o Poder Público decidiu “investir” na Fatec.

Sou aluna do 5º semestre de Logística e concluo meu curso até agosto de 2009. Apesar de não chegar a ver sair o prédio oficial, anunciado na matéria publicada dia 10/09, fico muito feliz em saber que isso está sendo possível por cauda da batalha dos alunos pioneiros em mostrar que a locação e as condições em que se desenvolve e ministra os nossos cursos hoje, não são condizentes com a expectativa, colocada pelo mercado, sobre os profissionais que seremos ao final do curso.

 

Uma instituição que abriu suas portas em março de 2006 e vive até hoje de rearranjos e “ajustes técnicos”, com respeito à estrutura física e acadêmica, tem muito a ganhar com todo esse amparo oferecido pelo Município.

Mas gostaria de chamar a atenção dos jovens universitários, sejam eles do movimento estudantil ou não, que estamos em ano de eleições e que é nessas horas, mediante essas situações que se pode medir a quantidade de interesse e vontade política destes que pleiteiam o nosso “voto de confiança” no próximo dia 05 de outubro. Por isso, coloco em questão as razões que levaram o Poder Público a demorar três anos e onze meses para a autorizar liberação de recursos e movimentar um processo de licitação sobre um convênio que está assinado desde setembro de 2005.

 

Reconheço que há a parcela de participação do Estado, mas também não presenciei nenhuma outra articulação, além da organizada pelos próprios alunos, em favor dessa causa. Ao contrário disso, nos surpreendemos em diversos momentos ao perceber que a administração desta cidade desconhecia fatos de suma importância a respeito de nossa condição de “agregados” no Parque Tecnológico Riugi Kojima. Nós é que estávamos trazendo a tona,  um problema que acreditávamos já estar com alguma solução encaminhada, uma vez que existia um documento que definia as responsabilidades do Estado e do Município na execução deste convênio.

 

Tudo isso, nos instiga a, mais uma vez, tentar entender como realmente funciona essa maneira de se preocupar com o desenvolvimento da cidade, que alega estar garimpando investimentos de empresas para gerar demanda de trabalho e aquecer a economia, mas que não valoriza nem favorece como deveria a formação profissional adequada que é puxada para atender toda essa estrutura do chamado “desenvolvimento”.

 

Enfim, ainda não acredito que a atual administração dessa cidade mereça uma medalha e nem que este gesto feito aos cinco últimos minutos do segundo tempo deva ser recebido com tanto aplauso assim. Também, tudo o que foi dito está longe de ser uma argumentação de cunho “não fez mais que a obrigação”. O que venho lembrar, nesse momento, é que as coisas poderiam ter sido bem diferentes se o que dizem ser a prioridade do Município fosse realmente uma preocupação traduzida em ações e resultados.

 

Espero que a minha irmã, aluna hoje do 3º semestre de Logística possa colher os frutos desse tempo de mudanças que se anuncia a partir de agora.

 

 

PERPLEXIDADE!

1 / junho / 2008 by

SILÊNCIO...Pela 3ª vez em 2 semanas, um onibus da Passaro Marron é assaltado.

No primeiro,dia 19/05/2008,minha família foi devastada pela noticia da morte de JOÃO ALEXANDRE,23 anos,universitario,trabalhador,filho,sobrinho,irmão,namorado,neto…pessoa.

Um joão que poderia ser seu.

Hoje, ao ler a nóticia de que pela 3ª vez um assalto foi cometido na mesma empresa,talvez pelos mesmos bandidos, penso na impunidade.

Câncer da sociedade,especificamente da sociedade brasileira,vai ceifando vidas mais rapidamente que a doença em si…

E nada é feito.Nenhuma medicação,nenhum placebo,nenhuma reação alternativa.

Só dor,medo e incredulidade.

Fica aqui o meu protesto.

Mais do que indignação,tenho compaixão das pessoas que estão lendo.

Se nada for feito, mais lágrimas correrão de outros olhos.

Quem sabe os seus?

DETALHE:

“Tem de esperar. Isso (assalto em ônibus) acontece sempre. Que que você quer que eu faça?”  Foi assim que o funcionário Lima, do setor de tráfego da Pássaro Marron, atendeu à ligação da irmã de um dos passageiros do ônibus que, naquele momento, estava sendo assaltado.

Tô indignada…

25 / abril / 2008 by

Tô indignada…

…Com as pessoas que são incapazes de se realizar por seus próprios esforços.

É isso aí, vamos falar do que hoje sinto representar não só o mal do século, mas a pior doença da humanidade que nos torna feios, pequenos e medíocres diante dos olhos do Criador.

Longe de ser um texto religioso, essas poucas palavras que escreverei (apesar de o tema render até telenovelas), tem a intenção de falar diretamente a uma pessoa: você, que me privou do direito de te olhar nos olhos pra dizer o que preciso.

Antes de começar, quero que saiba que te perdôo e que rezarei todos os dias para que a vida te ensine a superar esta fraqueza de temperamento e reparar essa falha em seu caráter. Rezarei também para que todo o mal que tentou me causar não lhe seja devolvido em igual proporção, pois percebo que de tanta pobreza de espírito e tanta falta de domínio de si, você jamais suportaria sentir tudo que me desejou. Sei que você só tentou fazer isso comigo porque conhece o meu brilho e sabe o quanto sou forte para não me deixar esmorecer por essa pequenez de tantas atitudes mesquinhas.

Preciso inclusive confessar que sinto um pouco de pena de você. Sim, porque acredito que alguém que age dessa maneira diante da vida e faz escolhas como as que você fez nunca deve ter sido capaz de amar ou de ser amado por alguém. Nem vou tão longe para exemplificar, não estou falando só de romance, mas de respeito, afeto consideração, estima e carinho. Falo de despertar empatia, apego, de criar laços sinceros e realizar trocas com as pessoas sem precisar tomar, implorar, ter a força algum tipo de sentimento por parte delas. Uma vez que isso acontecendo, certamente não duraria muito tempo. Mas tudo bem, você nunca deve ter conhecido nada disso mesmo, como poderia sentir falta não é.

Sinto que toda essa inveja não passa mesmo de uma total falta de capacidade de conseguir se realizar na vida pelos próprios méritos ou esforços. Uma completa ausência de objetivos de ideais e sonhos. Não porque eu tenha muita coisa que lhe interesse possuir,mas porque o pouco que tenho, representa para você muito mais do que um dia você imaginou poder alcançar…, lamento muito por isso. Queria de alguma forma poder ajudar, e espero sinceramente que esta experiência sirva de referência para os próximos capítulos da sua existência.

O que mais entristece neste caso, é te ver tendo que conviver com o fato de que eu me tornei um ser humano mais amado, convicto, sereno, compreensivo, forte e feliz, enquanto você atrasou em trocentos milhões de anos seu desenvolvimento emocional e sua formação como pessoa, como ser humano. Não sou psicóloga, mas penso que isso é muito ruim porque este quadro só será revertido no dia em que houver uma séria mudança de postura com relação “ao outro”, “ao próximo”, o que acredito que dependendo de você pode demorar muito para se realizar ou nunca acontecer.

Você ainda não deve ter percebido, mas se parece muito com o “vampiro” das histórias dos filmes de terror, pois este também é incapaz de caminhar na luz, só se alimenta do sangue das pessoas, é impedido de se relacionar com as pessoas a sua volta pois jamais aprendeu a lidar com as perdas e sua existência dura uma eternidade para que a dor de não se encaixar na vida desse mundo e se privar de tudo que os mortais experimentam o acompanhe por todos os seus dias. Não queria estar no seu lugar, não queria ser você.

Enfim, isso tudo era para te agradecer por ter participado de um pedaço da minha história. Agradecer por ter conseguido fazer de mim uma pessoa melhor do que eu era ontem e por me ensinar que em todas as situações o “bem” e a “pureza de coração” sempre vencem…antiga lição dos livros de contos de fada que eu quase havia me esquecido.

por Walewska Lima

Tô Indignado com os guardas de trânsito de São José

1 / abril / 2008 by

Guarda de Transito de São José dos CamposOntem um motoqueiro passou com tudo no corredor e bateu no retrovisor do meu amigo.

Meu amigo discutiu com o motoqueiro e o motoqueiro ainda acreditava que tinha razão ter batido no retrovisor dele.

Bem, logo a frente, meu amigo encontrou um guarda de trânsito (vulgo marronzinho) e relatou o fato a ele.

Bem, a reação dele foi nenhuma, ou seja:

“Sinceramente amigo, o problema é seu”.

Bem, para que serve então essas porcarias de guardas de trânsito se nem as tarefas básicas que eles deveriam cumprir, eles não cumprem?

Enfim, Tô Indignado com os guardas de trânsito de São José dos Campos-SP.